Trauma e Paralisia Facial
24/06/2020
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Paralisia Facial Congênita

A paralisia facial congênita é uma causa rara. Nestes casos, a criança nasce com a paralisia facial que é percebida na maternidade por uma assimetria na face, mais fácil de ser visualizada quando a criança chora. A paralisia pode ser completa ou acometer um dos ramos do nervo facial.

Paralisia de Face esquerda percebida no choro.

A paralisia facial pode ser decorrente de um trauma no canal de parto (geralmente parto natural com uso de Fórceps) ou por uma falha no desenvolvimento do nervo facial ou na musculatura da mímica.

Quando esse diagnóstico é feito, a criança precisa ser acompanhada para ajudar na coordenação do lábio para a amamentação e nos cuidados com o olho. Uma investigação completa ajuda a determinar a causa da paralisia para guiar o tratamento.

Outras alterações podem estar associadas à Paralisia Facial Congênita. Alterações nos membros, orelhas, na motricidade ocular, na função auditiva e em alguns órgãos podem acontecer em alguns casos.

Quais são as principais causas de Paralisia Facial Congênita?

  • Trauma de parto
  • Síndrome de Moebius
  • Paralisia parcial do lábio inferior (Síndrome CULLP)
  • Síndrome CHARGE
  • Microssomia Hemifacial

Trauma de parto

No nascimento pode acontecer a compressão do nervo facial por alguns fatores:

  • Uso de Fórceps por uma dificuldade na descida no parto normal
  • Posição ruim da cabeça da criança na descida.
  • Pelve estreita
  • Bebês grandes

Essas crianças precisam ser acompanhadas para orientação dos cuidados na amamentação e do olho.

O tratamento imediato é conservador, observando a evolução com os meses. A maioria dos casos há uma recuperação total ou parcial da movimentação facial. Os casos com assimetrias e sem recuperação precisam de tratamento especializado.

Síndrome de Moebius

A Síndrome de Moebius é uma das causas de Paralisia de Face Congênita, sendo muito rara. Estima-se que existam 2 mil pacientes com esta síndrome no mundo.

Somente 2 % dos casos da Síndrome de Moebius estão associados à história familiar prévia, sendo a maioria de causa desconhecida.

A Síndrome de Moebius é caracterizada pela Paralisia de Face associada com a alteração do movimento do olho. A Paralisia de Face usualmente é bilateral, assim como essa alteração do movimento do olho. Outros nervos cranianos podem não funcionar adequadamente também.

Os bebês não conseguem fechar os lábios e ficam com a boa aberta. Isso causa dificuldade na sucção ao mamar. Além dessas alterações, esses pacientes podem ter outras malformações nos pés e mãos, com alteração da musculatura do tórax, inclusive.

Esses pacientes precisar ser acompanhados durante a vida e há opções de tratamento para restaurar o sorriso. Como alguns casos não há nenhuma expressão facial, pode haver confusão com um quadro de retardo do desenvolvimento mental, mas os pacientes da Síndrome de Moebius possuem na maioria dos casos cognição normal.

A cirurgia de reanimação de face é importante nestes casos para a sociabilização e melhora da qualidade de vida desses pacientes. Outras cirurgias podem ser necessárias para tratar as outras deformidades.

Paralisia parcial do lábio inferior (CULLP)

Essa é uma alteração relativamente frequente que pode acometer até 1 em 160 nascidos vivos.

Quando o bebê chora, somente um dos lábios é puxado para baixo, com o outro lado paralisado. Somente o lábio inferior é acometido e, em 80% dos casos, o lábio inferior esquerdo está paralisado.

Cerca de 10% dos casos podem ter outras anomalias associadas, como anomalias cardíacas (Síndrome de Cayler), gênito-urinárias, entre outras.

A causa da paralisia parcial do lábio inferior é incerta. Pode ser decorrente de uma compressão no canal do parto ou por alteração no desenvolvimento com hipoplasia ou agenesia da musculatura depressora do lábio. Nos pacientes com diagnóstico da Síndrome de Cayler, uma mutação genética no cromossomo 22 foi identificada.

O tratamento da assimetria pode ser realizado com a Toxina Botulínica ou com neurectomias e miectomias seletivas.

Síndrome CHARGE

Síndrome genética congênita complexa muito rara que acomete 1 a cada 10 mil nascidos. Na maioria dos casos é identificada uma mutação do gene CHD7 no cromossomo 8.

Nesta síndrome há uma grande variabilidade na apresentação e evolução. São casos muito complexos que precisam de acompanhamento multidisciplinar.

As principais características são:

  • Coloboma ocular
  • Defeitos cardíacos
  • Atresia de coanas com bloqueio do fluxo de ar pelo nariz
  • Atraso no desenvolvimento neuropsicomotor
  • Anomalias genitais e urinárias
  • Surdez e anomalias do ouvido

Microssomia Hemifacial

A microssomia hemifacial é uma condição congênita mais comum que acomete 1 a cada 4000 nascidos vivos. A sua causa exata é incerta.

Geralmente a microssomia é unilateral, mas em 10% dos casos é bilateral. Pode haver alterações oculares, nos ossos faciais e no ouvido. Existem diferentes graus de manifestação e associação com outras anomalias, sendo que alguns casos podem ter paralisia facial.

O tratamento da microssomia depende do grau da doença e é multidisciplinar. Pode ser necessário o Transplante do músculo grácil para reanimação da face e recuperação do sorriso.

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Dra. Rachel Baptista
Dra. Rachel Baptista
Rachel Baptista é formada e pós-graduada pela USP, com especialização e experiência reconhecida nos maiores centros de reconstrução plástica do mundo. Participação nas reconstruções de face e membros mais importantes do Brasil.

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